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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

O poema "As 24 horas vividas de um Verme" de Michel F.M. (Bruno Michel Ferraz Margoni) é uma crítica ácida e niilista à desumanização do indivíduo no sistema social e trabalhista moderno.


O poema "As 24 horas vividas de um Verme" de Michel F.M. (Bruno Michel Ferraz Margoni) é uma crítica ácida e niilista à desumanização do indivíduo no sistema social e trabalhista moderno. 

Ao comprimir uma vida inteira em 24 horas, o autor utiliza a metáfora do "Verme" para expor a insignificância da existência sob a lógica do capital e da exploração.

Aqui estão os pontos principais da análise:

1. A Metáfora do Verme e a Coisificação
  • Desumanização: O eu-lírico não é um homem, mas um verme. Isso indica que, para o "sistema", o indivíduo é apenas uma engrenagem biológica descartável.
  • Adestramento: O poema substitui "educação" por "adestramento de insignificância". Isso sugere que a escola e a universidade servem apenas para ensinar o indivíduo a aceitar sua posição inferior e submissa.

2. Ciclo de Exploração (Cronologia do Capital)
  • Colônia Parasítica: O trabalho não é visto como realização, mas como parasitismo forçado. Das 13h00 às 19h00, o verme vive sua "carreira profissional", onde destrói outros para ganhar um "bônus".
  • Reprodução do Sistema: Às 14h00, ele procria apenas para garantir que o sistema continue funcionando, criando novos "vermes" para o futuro.

3. Ironia e Crítica Social
  • Privilégio: A menção à "festa das quinze horas (se for abastado)" ironiza as desigualdades sociais mesmo em uma vida curta e miserável.
  • Abandono: Às 22h00, o verme adoece. A ausência de "seguro previdenciário" mostra a face cruel do sistema que descarta o trabalhador quando ele não é mais produtivo.

4. O Despertar Tardio e a Redenção
  • O Sonho Interrompido: Às 21h00, o "artesanato" representa os desejos genuínos e artísticos que foram sufocados pela rotina. É o momento em que ele tenta ser humano, mas já é tarde demais.
  • Morte e Alívio: A morte às 23h00 é acompanhada pelo arrependimento de ter existido. A Redenção às 24h00 não é religiosa, mas o fim do sofrimento: a liberdade só chega com a inexistência.

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Aqui está um aprofundamento sociológico e filosófico do poema, conectando suas metáforas com as teorias de Karl Marx e Byung-Chul Han:

1. A Visão de Karl Marx: Alienação e Reificação

O poema é um retrato fiel do conceito de Alienação do Trabalho. 

Trabalho Forçado: Às 05h00 e 13h00, o verme é "forçosamente inserido" na colônia. Para Marx, o trabalho alienado não é a satisfação de uma necessidade, mas um meio para satisfazer necessidades externas a ele.

A Vida Genérica: Às 23h00, o verme deseja "nunca ter existido". Isso reflete a ideia de que o capitalismo separa o homem de sua "essência humana" (ser genérico), reduzindo-o a funções biológicas e produtivas.

Reificação (Coisificação): O "adestramento de insignificância" (03h, 08h, 11h) transforma o ser vivo em uma coisa, uma mercadoria ou ferramenta para o sistema. 

2. A Visão de Byung-Chul Han: A Sociedade do Cansaço

O texto também dialoga com a Sociedade do Desempenho descrita pelo filósofo contemporâneo Byung-Chul Han. 

Autoexploração: Às 16h00, o verme desenvolve sua "carreira parasítica". Na teoria de Han, o indivíduo moderno não é apenas explorado pelo patrão, mas explora a si mesmo na busca por bônus e produtividade (18h00), gerando o esgotamento.

O Infarto da Alma: A reflexão das 20h00 sobre "danos, prejuízos e lesões" simboliza a violência neuronal da nossa época, onde o excesso de positividade e trabalho adoece o indivíduo (22h00).

O Valor do Ócio: Às 21h00, o "devaneio" do artesanato representa a vida contemplativa que Han defende como antídoto, mas que no poema aparece apenas como um fragmento de sonho impossível antes da morte. 

O poema sugere que a única forma de "vencer" esse sistema é a Redenção (24h00), que aqui assume um tom niilista: o fim definitivo da existência em um mundo que não permite a humanidade. 

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As 24 horas vividas de um Verme
(Michel F.M.)

00h00 – Nascimento para uma existência imperceptível

01h00 – Descoberta dos primeiros sentidos (dolorosos)

02h00 – Engatinha emitindo sons pouco compreensíveis

03h00 – Inicia-se o adestramento de insignificância

04h00 – Aprende a armazenar desapontamentos

05h00 – Forçosamente é inserido à colônia parasítica

06h00 – Sofre os maus tratos que traçarão sua deformidade

07h00 – Perde qualquer doçura que jamais teve

08h00 – Segue-se o adestramento de insignificância (nível intermediário)

09h00 – Realiza cursos complementares de sadomasoquismo e submissão

10h00 – Conhece a larva que viverá ao seu lado pelos segundos que lhe restam

11h00 – Conclui o adestramento de insignificância (nível superior)

12h00 – Horário reservado para a única refeição que fará

13h00 – Forçosamente é inserido à colônia parasítica profissional

14h00 – Procria com o desígnio de dar continuidade ao sistema vigente

15h00 – Festa das quinze horas vividas de um verme (se for abastado)

16h00 – Desenvolve-se em sua abreviada e meteórica carreira parasítica

17h00 – Destrói a abreviada existência imperceptível de outros vermes (ônus)

18h00 – Recebe o retorno frutífero por 240 minutos de dedicação (bônus)

19h00 – Forçosamente é extraído da colônia parasítica profissional

20h00 – Reflete sobre os danos, prejuízos, lesões, estragos e avarias sofridas

21h00 – Aprende artesanato
(devaneio que deslumbrava na fase juvenil)

22h00 – Adoece sem amparo do estado maior ou seguro previdenciário

23h00 – Morre desejando nunca ter existido

24h00 – Obtém sua Redenção (ato ou efeito de se redimir)

[O Último Registro da Raça Humana - Áspera Seda: Volume Único - Esplêndida Face Magnífica]




sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Força Bruta

Flagelado na concepção,
Criado em meio à violência,
Instituíram a transgressão,
Formas de governo em decadência.

Costuraram sua deformação,
Nutriram sua imprudência,
Sem alusão, sem referência.

Força Bruta !
Abruptamente me conduz.
Sigo a conduta,
Clones sangrentos é o que se produz.

Traduz a luta,
Combate a parte,
Declarada a guerra civil;
Centenas de bonecos marchando,
Algo que nunca se viu.

Ordens são covardes
E não se discute,
Os seguidores são zumbis
Ascendendo o pavio.

Robôs são neutros.
Humanóides a poucos metros do Gran Finale.
Dos males o maior, e o que é pior ? É que é pior !

Força Bruta !
Abruptamente me conduz.
Sigo a conduta,
Clones sangrentos é o que se produz.

(Compositor: Michel F.M.) ©

domingo, 23 de outubro de 2011

Manipuladores (mentores da mentira)

Desde quando nós,
Desatamos nós,
Superamos sós,
Silenciando a voz.

Sendo jurados e réus,
Atuamos deliberadamente,
Aturamos displicentemente,
Alteramos indiscriminadamente
O ambiente em que habitamos.

Nós desatamos nós,
Nós atuamos sós,
Sós aturamos nós,
Nós alteramos vós.

Manipuladores, mentores da mentira.

Manipulando com deboche,
Ventríloquos, fantoches,
Marionetes, bonecos.
Comentários ilógicos,
Num papel higiênico,

Domínio da arte cênica, do ar cínico.
Arsênico ao anêmico mímico.

Arquétipos irônicos,
Ventríloquos, fantoches,
Marionetes, Bonecos,
Manipulados pelos mentores.

Manipuladores, mentores da mentira.

(Compositor: Michel F.M.) ©

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Patentes Manchadas

Suavemente dilacerados,
Eletrificados ao vosso desígnio.
Sobre os ombros, escombros,
Sob a moral, o indigno.

Mortalhas retorcem moinhos,
Calando nossa ronquidão,
Malhas sufocam os espinhos,
Mantas da inexpressão.

Nas Patentes Manchadas
Coloquemos alvejante.
Hemorragias estancadas
No Inanimado Militante.

A carne, o sangue e a mamata,
O alvará e a demência implantada,
Simulada a existência pacata,
Empurrão pra masmorra maquiada.

A sangueira estancada,
A cegueira velada,
A estribeira perdida,
Decaída e vedada.

Destroços e princípios,
Para os is os seus pingos,
No escárnio rendido,
A sangria, o respingo.

Na psicose do gringo,
Fragilizando e ferrando,
Contra a pólvora, o xingo.

Sócios em consórcios,
Em que estragos são negócios,
Militarismo e Sacerdócio,
Exercício do ócio, ócios do ofício.

Após as trincheiras,
Recém afrouxadas,
O militante padece,
Em Patentes Manchadas.

(Compositor: Michel F.M.) ©

sábado, 25 de junho de 2011

Sindicato das Bruxas

Eras de tradição
Se afunilaram entre as unhas,
Acusaram mulheres sábias
De reles feitiçaria,

A idade era média,
Mas agiam como múmias,
O populacho era adestrado
Pra fazer o que o rei queria.

Prevalece a ignorância,
Viva a monarquia !
No entanto eu prefiro
O movimento da anarquia.

República é um vislumbre
E o comunismo também,
Por isso entrei pro partido
Das Bruxas de Salém.
Mas...

O sindicato das bruxas fechou,
E agora o que vai ser
Dessa nobre profissão ?
O sindicato das bruxas
Encerrou a filiação.

No ofício de ladrão,
Tem até eleição,
Auxilio paletó,
Ticket refeição.

Enquanto as bruxinhas
Se equilibram no condão,
Seus inquisidores voam de avião.

O sindicato das bruxas fechou,
E agora o que vai ser
Dessa nobre profissão ?
O sindicato das bruxas
Encerrou a filiação.

Mas nem tudo tá perdido,
Nesse mundo de heresias,
Vô acendê uma fogueira
E juntar a bruxaiada,
Vamo fazê um churrasco
E dá uma proseada.

(Compositor: Michel F.M.) ©

terça-feira, 24 de maio de 2011

O Propósito

Persuadir, ludibriar, iludir, enganar,
Convencer, viciar, dissuadir, abnegar.
Efêmeras alegações que desembocam
Em uma sentença,
A propósito a proposta é propensa.

Abrir mão ou apegar-se,
Ao discurso que é desconfiado,
Quem duvida é duvidoso,
O incerto está acertado,
Ferramentas pra divulgar,
O poder de propagar.

A propósito é o propósito, O Propósito.

A propósito esse é meu propósito,
Expressar, Estressar, estragar,
Estalar, Estrilar, Extirpar,
É o propósito.

A propósito é o propósito, O Propósito.

O propósito é proposital
E propositalmente eu propositei.


(Compositor: Michel F.M.) ©

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Antes solo do que mal Interpretado

Inação é o sentimento que move nossos atos trágicos para conosco. Minamos a possibilidade de evolução em nós mesmos. Nossa capacidade não deve ser mensurável, mas é. Brindamos o alterismo sem nos dar conta, ao passo que bradamos nossa individualidade parcialmente residual. Viva o altruísmo pessoal ! Indivíduos tão livres quanto uma formiga encurralada por um copo. E ficamos indignados por esta situação.

Eu quero ter liberdade, mas para isso tenho que ter um salário, mas para tê-lo, preciso de um emprego, que para conseguir necessito de estudo, e só estudo se tiver tempo, que só é cultivado se eu tiver dinheiro para me manter no ócio criativo e enfim conquistar a liberdade temporal, mental, financeira, na qual possa exercer minha autonomia vital. Besteiras, bobagens, ressaca intelectual.

Então posso me governar, mas percebo que a inquietude de meu corpo é viral, foi contraída de outros e para outros será transmitida, "transmentida" por muitos afim de maquiá-la. Nós somos "Bugs", insetos parasitados (paracitados) batendo a cara na luz e ainda assim sem enxergá-la com clareza, sendo atraídos instintivamente, uma

luz que não ilumina, mas cega. Desorienta todo aquele que a ela persegue. Preferível é a escuridão, não deixa sombra para dúvidas, simplesmente é a falta da luz, tudo fica calmo, quieto, porém imprevisível. Sem saber quando colidirá sua canela com uma mesa de centro no meio da sala. Parece que esta, tão pouco, é uma boa alternativa.

Que bela época vivemos, rodeada de respostas formuladas conceitualmente. Tudo tem uma explicação, menos aquilo que realmente importa, mas nem sabemos o que é que realmente importa; o que faz a diferença é a insistência da igualdade. O que sei é que um Teórico não pratica o que diz, e um Prático não teorisa nada. Ambos são incompletos, por isso se completam ? Não.

Quanta “#&*%@!” nós falamos; conotações sem nenhuma denotação é nisso que acredito. Não se limite a acertar, erre, os erros ampliam nossa percepção de mundo.

Peque e veja que o arrependimento amarga e o perdão purifica. Não Fuja da solidão, em algumas circunstâncias, ela é a chave para seu cadeado. E mentalize: Antes solo do que mal interpretado.


(Autor: Michel F.M.)

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Construtores da Destruição

Compatriotas recebidos com otimismo.
Sacrifício humano por Patriotismo,
O Rito não pode cessar,
Bandeiras, hinos, honrarias,
Na missa dos 7 dias vou comungar.

Velórios, rituais, mutilações,
Muitas confissões a fazer,
Nenhuma remissão a conceder.

Os criadores da criação,
Amaldiçoaram sua benção,
Abençoando sua maldição.

Construtores da Destruição.

Na batalha contra sua criatividade, Ele venceu,
Derrotando a si mesmo, Ele perdeu.
Nas lendárias escrituras a inscrição:
“Virão os Construtores da Destruição.”

Os criadores da criação,
Amaldiçoaram sua benção,
Abençoando sua maldição.

Construtores da Destruição.


(Compositor: Michel F.M.)

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Seu Pesadelo

O braço dormente, a garganta seca,
As pernas trêmulas, aquela enxaqueca,
O cansaço levando a exaustão,
Monstruosidades despertaram.

Na noite o seu pesadelo te encontrou,
E ao som do desespero despertou,
A lança num golpe certeiro flagelou,
Mas a força interior te sustentou.

Aquele antigo pesadelo,
Retornou pra atormentar,
Em uma prisão de gelo,
Quer te encarcerar.

Na noite o seu pesadelo te encontrou,
E ao som do desespero despertou,
A lança num golpe certeiro flagelou,
Mas a força interior te sustentou.

No fundo do túnel você avistará,
Apenas alguém com quem contar,
Apenas alguém em quem confiar,
E do seu pesadelo te resgatará.

Na noite o seu pesadelo te encontrou,
E alguém em quem você confiou, te resgatou.


(Compositor: Michel F.M.)

domingo, 13 de março de 2011

Réquiem (mérito merecido)

Finalmente sou quase alguém
Que não queria ser.

Mas temos que ser algo,
Mesmo que um fardo
Para carregar
Ou carregarmos outrem.

Ou embarcarmos num trem
Que esvai, evaporando
E deixando nu,
Desabrigado, desobrigado,
Diz obrigado no réquiem.

O descanso é um mérito merecido.
Réquiem, descanso merecido.

Introduzindo uma mensagem
Extrovertemos as vantagens de opinar,
Intuitivos opinem e assimilem,
Reencontramos nosso réquiem.

O descanso é um mérito merecido.
Réquiem, descanso merecido.
Réquiem, mérito merecido.


(Compositor: Michel F.M.)

quinta-feira, 3 de março de 2011

O Último Registro da Raça Humana

...Ele foi Bravo, Calmo, Irritado, Feliz,
Engraçado, Triste, Bom, Mal, Justo, Sonhador,
Respeitado, Amado, Odiado, Escorraçado,
Foi Alegre, Depressivo, Empolgado, Cansado,
Distraído, Observador, Cantor, Compositor.

Foi Pai, Irmão, Filho, Tio, Padrinho, Amigo,
Marido, Vizinho, Falso, Honesto, Conhecido,
Trabalhador, Desempregado, Mitra, Caridoso,
Esbanjador, Pensativo, Ausente, Atento,
Esportista, Sedentário, Derrotado, Vencedor.

Egoísta, Companheiro, Violento, Carinhoso,
Indeciso, Mentiroso, Correto, Verdadeiro,
Preso, Condenado, Inocentado, Libertado,
Ateu, Crente, Católico, Budista, Xiita, Pastor,
Poluidor, Ambientalista, Analfabeto, Leitor.

Foi Ídolo, Desconhecido, Exemplo, Esquecido,
Pobre, Rico, Ridículo, Belo, Escravo e Senhor.
Embaixador da boa vontade, Terrorista, Matador,
Ativista, Pacifista, Homicida, Doutor, Doador,
Foi Santo, Bendito, Imaculado, foi Pecador.

Ignorante, Sábio, Discípulo e Educador.
Ele foi descendente de Eva e Adão,
Brotou, durou e expirou na Alameda do Éden,
Evoluiu dos Primatas, foi Homo Sapiens.


(Compositor: Michel F.M.) © 2010